sábado, 11 de janeiro de 2014

SELEUCO I NICÁTOR (312 – 281 a.C.) - PARTE VI

Seleuco conquista o Oriente
Enquanto Antígono se batia contra os demais diádocos no Ocidente, Seleuco reafirmava sua autoridade nos territórios orientais e expandia seus domínios. Seleuco logo voltou sua atenção mais uma vez para o Oriente. Em 307 esteve na Báctria. O antigo sátrapa Estasanor rendeu-se ou foi derrotado.Segundo o relato de Apiano (Guerras Sírias) Seleuco adquiriu as terras da Mesopotâmia, Armênia, Capadócia Selêucida (região ocidental da Armênia), Pérsia, Pártia, Báctria, Arábia, Tapúria, Sogdiana, Aracósia, Hircânia, e outros povos adjacentes que haviam sido subjugados por Alexandre até o rio Indo de modo que os limites de seu império eram os mais extensos na Ásia após o de Alexandre Magno. Mas, as terras indianas lhe deram trabalho. O agora rei Seleuco travou uma guerra com o rei indiano Chandragupta Maurya que governava uma vasto território na Índia.
O Império Maurya em c. de 320 a.C.

Guerra e Paz na Índia 
Apenas algumas fontes mencionam suas atividades na Índia. Chandragupta (conhecido em fontes gregas como Sandrokottos), fundador do Império Maurya, havia conquistado o vale do Indo e de várias outras partes das regiões orientais do império de Alexandre. Seleuco começou uma campanha contra Chandragupta e atravessou o Indo, sem, entretanto obter sucesso. Não se sabe o que exatamente aconteceu. Talvez Chandragupta tenha derrotado Seleuco em batalha. No entanto, nenhuma das fontes disponíveis mencionam isso. Seleuco parece ter se saído mal por não ter subjugado a porção indiana do império de Alexandre, mas também pode ter preferido em não insistir numa guerra imprevisível distante de sua capital e com os beligerantes diádocos na sua retaguarda ocidental. Seleuco participara da campanha de Alexandre Magno na Índia. Conhecia  os desafios da região e sabia que fora na Índia que os soldados de Alexandre decidiram contestar seu rei e frear a sede de conquistas do guerreiro macedônio. Um tratado de paz com os indianos era a melhor forma Seleuco preservar a maior parte de suas conquistas.
Estátua moderna do rei Chandragupta Maurya em Déli, Índia
Os dois líderes chegaram a um acordo e por meio de um tratado selado em 305 a.C. Seleuco cedeu uma quantidade considerável de território indiano para Chandragupta em troca de 500 elefantes de guerra que seriam estratégicos nas próximas batalhas de Seleuco no Ocidente. Os territórios cedidos por Seleuco a Chandragupta foram: Aracósia, Gedrósia, Paropâmiso (região do atual Afeganistão) e talvez também Ária. Alguns estudiosos modernos sugerem que Seleuco deu mais territórios no que é hoje o sul do Afeganistão e partes do rio Indo. Alguns autores afirmam que o argumento relativo a Seleuco entregar mais do que é hoje o sul do Afeganistão é um exagero originário de uma declaração de Plínio, o Velho, referindo-se não especificamente para as terras recebidas por Chandragupta, mas sim as várias opiniões dos geógrafos quanto à definição da palavra "Índia" que na Antiguidade abrangia áreas pertencentes aos atuais Paquistão e Afeganistão.
O Império Maurya após o acordo de Chandragupta com Seleuco
A aliança entre Chandragupta e Seleuco foi selada com um ou mais casamentos (epigamia) entre indianos e macedônios. Segundo Estrabão os indianos ocuparam em parte alguns dos países situados ao longo do Indo, que antigamente pertenciam aos persas e que foram conquistados por Alexandre Magno. Mas Seleuco Nicátor os cedeu para Sandrocottos (Chandragupta) em consequência de um contrato de casamento, e que recebeu em troca quinhentos elefantes. Chandragupta ou seu filho se casou com a filha de Seleuco, uma certa Cornélia, ou talvez houvesse o reconhecimento diplomático de casamentos entre indianos e gregos. Há quem pense que Seleuco teria se casado com uma princesa indiana cujo nome foi helenizado para Berenice. Mas, nada disso pode ser assegurado. Além deste reconhecimento matrimonial ou aliança, Seleuco enviou um embaixador, Megastenes, à corte dos Maurya em Pataliputra (a atual Patna no estado indiano de Bihar). Apenas pequenos excertos permaneceram da descrição da Índia que Megastenes escreveu em sua obra Índica. Os dois governantes parecem ter selado seu tratado de paz em muito bons termos, uma vez que as fontes clássicas têm registrado que após o seu tratado, Chandragupta enviou vários presentes, como afrodisíacos, para Seleuco. Do tratado de paz de Seleuco com os indianos, se obteve maior conhecimento da parte do norte da Índia pelos antigos, como explicado por Plínio, o Velho, em sua História Natural por causa das numerosas embaixadas enviadas por Seleuco para o Império Maurya.
Reconstituição do mapa de Eratóstenes (276-194) que retrata o mundo conhecido no século III a.C.
e que incorpora informações derivadas das campanhas de Alexandre e Seleuco no Oriente
Seleuco aparentemente cunhou moedas durante a sua estada na Índia, uma vez que várias moedas com seu nome estão no padrão indiano e foram ncontradas na Índia. Estas moedas o intitulam basileus (rei) o que implica uma data posterior a 306 a.C. Algumas delas também mencionam Seleuco em associação com seu filho Antíoco como rei, que também implicaria uma data tão tarde quanto 293 a.C. Nenhum das moedas selêucidas foram cunhadas na Índia depois da entrega do território a oeste do Indo para Chandragupta. Uma coisa digna de nota é o contraste da estabilidade do acordo de paz entre o macedônio Seleuco e indiano Chandragupta com os tratados de paz estabelecidos entre os próprios Diádocos, todos macedônios e antigos companheiros de armas que não hesitavam em quebrar suas promessas e fazerem guerras uns contra os outros. Apesar das perdas territoriais na Índia, Seleuco foi aceito como rei por outros príncipes das províncias orientais. Sua esposa iraniana, Apama, pode ter favorecido seu governo na Bactriana e Sogdiana. Apama não era mera concubina de Seleuco, mas sua rainha consorte. Antíoco, filho deles, foi educado como um grego, mas também aprendeu a governar de forma iraniana. Tinha o status de mathišta (príncipe-herdeiro), como no no Império Persa Aquemênida e atuou um sátrapa das partes orientais do império, onde sua mãe havia nascido. Segundo o historiador John D. Grainger, Seleuco pode ter fundado uma marinha no Golfo Pérsico e no Oceano Índico.
Seleuco, o Vencedor: a moeda traza efígie de Seleuco com um elmo adornado de chifres e orelhas de boi e
pele de leopardo e no outro lado a deusa Vitória (Niké) e a armadura do rei


Selêucia 
O próximo evento ligado a Seleuco foi a fundação da cidade de Selêucia (Seleukeia). A cidade foi construída na margem do rio Tigre, provavelmente, em 305 a.C. e é mais conhecida como Selêucia do Tigre para distingui-la de outras Selêucias fundadas posteriormente. Seleuco fez de Selêucia do Tigre sua nova capital, imitando, assim, Lisímaco, Cassandro e Antígono, os quais tinham nomeado cidades com seus próprios nomes (Lisimáquia, Cassandreia e Antigônia, respectivamente) seguindo a tradição dos reis da Macedônia Filipe II (que fundara Filipos) e Alexandre Magno (que fundara várias Alexandrias). Seleuco também transferiu a corte da Babilônia para a sua nova cidade. A história da fundação da cidade é a seguinte: Seleuco pediu aos sacerdotes babilônicos que dia seria melhor para fundar a cidade. O sacerdote calculou o dia, mas, querendo que a fundação, e a consequente mudança de capital, não desse certo, disseram a Seleuco uma data diferente. O plano falhou no entanto, porque quando o dia correto veio, os soldados de Seleuco começaram espontaneamente a construir a cidade. Quando questionados, os sacerdotes admitiram a sua ação. 
Ruínas da antiga cidade de Selêucia do Tigre
A cidade foi povoada inicialmente por gregos, sírios e judeus. Pausânias relata que Seleuco também instalou babilônios na cidade. Posicionada na confluência do rio Tigre com um grande canal do Eufrates, Selêucia foi estava estrategicamente colocada para receber o tráfego de ambos os grandes cursos d'água da Mesopotâmia. Seleucia era um bom lugar para o comércio na margem ocidental do rio Tigre até sua confluência com o rio Diyala na estrada principal para o planalto iraniano. Pode-se perguntar por que Seleuco tenha preferido uma capital localizada na Mesopotâmia em vez das áreas centrais iranianas do antigo Império Aquemênida, do qual o Império selêucida era o sucessor? A riqueza agrícola e comercial da região pode explicar esta escolha bem como sua maior proximidade com o Ocidente (região natal dos Selucidas). De qualquer forma a Mesopotâmia acabou sendo uma boa escolha, pois a região demonstrou ser muito leal à dinastia após Seleuco I. Babilônia ficou logo à sombra de Selêucia e Antíoco, filho de Seleuco, mudou toda a população de Babilônia para Selêucia do Tigre, em 275 a.C.. A cidade prosperou até 165 d.C, quando os romanos destruíram. Atualmente, é um sítio arqueológico a 29 km de Bagdá, Iraque. Com o Oriente sobre controle Seleuco se volta para o Ocidente, onde a vitória de Antígono Monoftalmo sobre os demais diádocos pode botar a perder o que conquistara com tanto esforço.
Sítio arqueológico de Selêucia do Tigre e outras cidades que foram construídas  posteriormente nos
arredores, o que demonstra a posição estratégica  da primeira capital de Seleuco e sua visão política

FONTES:

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